• Central de Atendimento:
  • 3639-1505 | 3639-1875
  • Nossa Estrutura
Em 12 de abril de 2018 por Comunicação / Prefeitura Municipal de Itaboraí
Itaboraí celebra mês azul de conscientização do Autismo
FacebookTwitterGoogle+LinkedInEmailShare

27544257168_f98bafb66b_zNesta quinta-feira (12/04), a Praça Marechal Floriano Peixoto, no Centro foi tomada pela onda azul, com alunos-pacientes, responsáveis e profissionais da Clínica-Escola do Autista, uma instituição gerida pela Prefeitura de Itaboraí, por meio da Secretaria Municipal de Educação. A ação faz parte do mês azul, em referência ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado dia 2 de abril, e contou com informações e orientações sobre o transtorno no desenvolvimento do cérebro, que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo mundo, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – órgão ligado ao governo dos Estados Unidos.

Uma das maiores defensoras dos direitos do autista, Berenice Piana falou sobre a distribuição dos laçinhos com desenhos de quebra cabeça, que representam a complexidade da síndrome, mas que ao final tudo se encaixa. “Esse laçinho é para ressaltar que os autistas podem conviver em qualquer ambiente, como, shopping, praia, parque e outros. Quero agradecer imensamente ao prefeito de Itaboraí, Dr. Sadinoel Souza por continuar com a instituição e enaltecê-la ainda mais. Além dos secretários municipais de Educação, Marcos Dias e de Saúde, Júlio César Ambrósio e toda equipe da Educação”, disse Berenice.

26544212927_10beef90d5_zOs presentes fizeram a distribuição de panfletos informativos pela Praça e os mais interessados foram encaminhados para a tenda, para serem informados sobre o autismo, com os profissionais especializados. A mãe do pequeno Benjamin Ribeiro, cinco anos é uma das que mais participam dos eventos organizados pela Clínica-Escola do Autista. Moradora do município de Magé, Edlane Ribeiro, 44 anos descobriu o autismo do filho aos dois anos de idade, por meio de uma sobrinha, que havia feito um trabalho escolar sobre o tema.

“Foi quando ela mostrou-me um site do doutor Dráuzio Varella falando sobre o autismo, ali eu tive a certeza que meu filho tinha a síndrome. Benjamin não olhava nos olhos, ficava girando, não interagia, entre outros. Depois do diagnóstico da especialista Cristina Delou, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que conseguimos por obra do destino, nós fomos encaminhados para Itaboraí, na Clínica-Escola do Autista. Aqui eu só tenho a agradecer. A clínica é minha âncora e não sei o que seria de mim e do meu filho sem ela. Eles usam uma ótima linha de tratamento, incluindo uma dieta balanceada e terapias”, disse Edlane.

Itaboraí é referência em clínica-escola destinado exclusivamente a autistas

26544390057_1d63355c03_zItaboraí é a primeira cidade do Brasil com uma instituição pública no atendimento multidisciplinar à pessoa com o transtorno. Inaugurada em abril de 2014, a Clínica-Escola do Autista é uma iniciativa da Prefeitura de Itaboraí, atendendo a uma antiga luta de familiares. É fruto da Lei Federal 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Atualmente a instituição conta com aproximadamente 160 alunos-pacientes, com idade entre dois a 44 anos, residentes de Itaboraí, e ainda dos municípios de São Gonçalo, Tanguá, Niterói, Rio Bonito e Magé. Com um tratamento multidisciplinar, o projeto público pioneiro visa à integração de crianças e adolescentes autistas ao ensino regular, oferecidos por profissionais especializados no tema.

A Clínica-Escola conta com três pedagogas especializadas em autismo, terapeuta ocupacional, duas psicólogas, duas fisioterapeutas, duas psicopedagogas, duas nutricionistas, duas assistentes sociais, neuropediatra e arte terapeuta. Além de diretora, coordenadora pedagógica e de disciplina, recepcionista e serviços gerais. Futuramente também serão inclusos a especialização de fonoaudiologia, pediatra, dentista e coleta de sangue.

27544497268_a388bc28e9_zA co-autora da lei federal, Berenice Piana, também é mãe do autista Daylan, 23  anos, que é aluno-paciente da Clínica-Escola. De sua luta, em busca dos direitos do autista surgiu o projeto, que hoje é referência nacional na conscientização do transtorno. Na instituição municipal, Berenice realiza acolhimento familiar e orientação aos familiares e/ou responsáveis dos alunos-pacientes todas segundas e quartas-feiras à tarde.

“Eu descobri que meu filho tinha um comportamento diferente aos dois anos de idade, mas precisei buscar informação, pois os médicos não sabiam do que se tratava. O Daylan não usava roupa, era agitado, machucava-se a toa, e só com seis anos consegui inseri-lo em uma clínica especializada, na Urca, no Rio de Janeiro. Ele começou a melhorar logo no início e por lá ficou cerca de oito anos. Vale ressaltar que também contei com a ajuda financeira dos meus pais e sogros, pois a mensalidade era R$ 1,5 mil, naquela época”, disse Berenice.

A diretora da instituição, Márcia Novis destacou que não há vagas disponíveis para a Clínica-Escola, devido o tratamento ser individualizado. Mas os pais e/ou responsáveis podem procurar o local para receber acolhimento e orientação. “Nosso objetivo é inserir os alunos-pacientes no ensino regular, assim os adaptando para o “mundo lá fora”. Hoje nós temos aproximadamente 58 pessoas do município na lista de espera e mais de 300, de outros municípios. Vale ressaltar que além da escolaridade nós fornecemos Atendimento Educacional Especializado (AEE), para alunos que estudam no ensino regular e fazem o complemento aqui”, disse Márcia.

40701214144_7de3720d01_zAinda segundo Berenice, hoje as informações estão mais acessíveis, mas a dor do diagnóstico é a mesma de anos atrás. “Eu não tive outras mães para conversar, para esclarecer dúvidas. Porém sempre tive uma família que me apoiava e apoia até hoje. E uma coisa que eu sempre falo com as mães é sobre a alimentação, senão abraçar a ideia, o tratamento não dá certo. Nós somos o que comemos, e na minha casa, por conta do meu Daylan não entra guloseimas, se quer comer besteiras é fora de casa”, frisou Berenice, ressaltando que o filho não come glúten, açúcar, transgênicos e derivados de leite.

Duas vezes por semana, Sandra Gomes leva a filha de 15 anos, Brenda Camacho para o atendimento individualizado da Clínica-Escola do Autista. Esse processo, já acontece há quase três anos e a mãe só tem elogios a fazer. “Quem descobriu o autismo da minha filha foi à escola, quando ela tinha 10 anos de idade. Mas quando eu a levei a psicóloga, a mesma disse que era apenas déficit de atenção. Não satisfeita, a escola nos encaminhou para a Clínica-Escola e o neurologista deu o laudo: autismo. Logo ela começou o tratamento e os resultados positivos vieram, e hoje a minha filha está mais sociável e tranquila. E com isso só tenho a agradecer aos profissionais desta instituição”, disse a mãe da aluna do 1º ano do Ensino Fundamental.

A Clínica-Escola do Autista fica localizada na Rua Comandante Ari Parreiras, nº 327, em Venda das Pedras – Itaboraí. Horário de funcionamento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

O que é Autismo

O Autismo, também conhecido como Transtornos do Espectro Autista (TEA), são transtornos que causam problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social da criança.  Atualmente, estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo todo possuem algum tipo de autismo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com relação ao Brasil, esse número passa para 2 milhões. Uma pesquisa atual realizada neste ano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) diz que o autismo atinge ambos os sexos e todas as etnias, porém o número de ocorrências é maior entre o sexo masculino (cerca de 4,5 vezes).

Esse transtorno não possui cura e suas causas ainda são incertas, porém ele pode ser trabalhado, reabilitado, modificado e tratado para que, assim, o paciente possa se adequar ao convívio social e às atividades acadêmicas o melhor possível. Quanto antes o Autismo for diagnosticado melhor, pois o transtorno não atinge apenas a saúde do indivíduo, mas também de seus cuidadores, que, em muitos casos, acabam se sentindo incapazes de encararem a situação.

Portal Oficial da Prefeitura Municipal de Itaboraí
Praça Marechal Floriano Peixoto, 97 - Centro, Itaboraí - RJ, 24800-165
©2018 - Desenvolvido por Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável